A Língua Portuguesa no Brasil

Quando os portugueses descobriram o Brasil em 1500, já encontraram aqui uma língua: o tupi, que eles logo batizaram de língua geral. Era aquela falada pelos índios e também pelos jesuítas, que a utilizavam para catequizá-los, além dos comerciantes e outros moradores das terras brasileiras. Os jesuítas acabaram sendo expulsos do Brasil em 1759, e, desde então, o tupi foi proibido como língua geral, mas continuou sendo falado pela população local e contribuiu muito para o enriquecimento do vocabulário português. São inúmeras as palavras que vieram do tupi. Exemplos: Carijó, guri, mingau, capim, araponga, arapuca, e outras; entre os nomes de pessoas, podemos citar Jurema, Iara, Araci, Moacir, Ubirajara, Iracema, e entre os topônimos (nomes de localidades) temos Niterói, Ceará, Catumbi e outros.

Além do tupi, o português sofreu influência da língua africana, que chegou ao Brasil com os escravos trazidos da África. Sobretudo os dialetos nagô, ioruba e quimbundo, praticados pelos negros que aqui chegaram, enriqueceram a língua portuguesa com diversos termos. Exemplos: quilombo, banzo, samba, quitanda, acarajé, vatapá, dendê, além dos nomes de entidades da umbanda, como Exu, Orixá, Ogum, Iansã e muitas outras palavras.

Desde a colonização até meados de 1600, a língua portuguesa no Brasil convivia com essas outras línguas – o tupi e os dialetos africanos. Daí em diante, ela começa a se impor como língua dominante, o que acontece definitivamente com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808. Colaboram para isso a crescente urbanização que, dando origem às cidades, aprofunda a separação com o mundo rural, e o trabalho de importantes escritores, entre eles José de Alencar (1829-1870), que passam a retratar em suas obras a terra e o povo brasileiro, colaborando para uma identificação maior entre ambos. Mas, fundamentalmente, o que fez com que a língua portuguesa se impusesse como idioma foi o fato de o índio e o negro terem perdido, progressivamente, sua importância como mão-de-obra na economia colonial tendo, assim, sua língua e seus costumes marginalizados da cultura dominante, e, em contrapartida, o domínio que os portugueses exerceram sobre as terras e riquezas do Brasil, o comércio, a educação, a cultura e demais aspectos da sociedade brasileira.