O Aparelho Fonador

O aparelho fonador é constituído pelos pulmões, brônquios e traquéia, que são órgãos que nos fazem respirar; pela laringe, onde estão as cordas vocais, e pelas cavidades supralaríngeas, que funcionam como caixas de ressonância para que o som seja emitido. Essas cavidades são a faringe, a boca e as fossas nasais (os dois condutos do nariz). Em geral, não ficamos atentos ao funcionamento do aparelho fonador, nem é preciso que fiquemos. Mas é interessante saber o que acontece com essa parte do nosso organismo quando falamos. Para isso, basta seguir o caminho percorrido pelo ar expelido dos nossos pulmões. Já que ele é o elemento que nos permite emitir sons.

O ponto de partida do ar nessa viagem são os pulmões. Ele é expelido daí pelos brônquios, entra na traquéia e chega à laringe. Nesse ponto, encontra a glote, uma abertura entre as cordas vocais, que são na verdade duas pregas musculares das paredes superiores da laringe. A glote fica na altura do pomo-de-adão ou gogó.

Quando o fluxo de ar chega à glote, pode encontrá-la aberta ou fechada. Se estiver fechada, ele não desiste: força a passagem pelas cordas vocais, fazendo-as vibrar e produzindo o som musical característico das articulações sonoras. Se estiver aberta, o ar passa tranquilamente, sem vibrar as cordas vocais, produzindo as articulações surdas.

A diferença entre um som sonoro e um som surdo pode ser percebida na pronúncia de consoante como b (sonoro) e p (surda). Faça o teste, pronunciando as duas em voz alta e prestando atenção ao som que emite. Perceba que o b é mais longo, mais sonoro... e o p é mais curto, mais seco.

Bem, mas a viagem do ar ainda não terminou. Ela estava na laringe, onde se defrontou com a glote, seu primeiro obstáculo. Ao sair da laringe, o ar encontra outro obstáculo, dessa vez uma encruzilhada, ou seja, dois caminhos de acesso ao exterior: o canal bucal e o canal nasal. Entre esses dois canais está o véu palatino, um órgão móvel que pode impedir ou permitir a entrada de ar nas fossas nasais. se o véu se levanta deixa livre apenas o conduto bucal. Se o véu de abaixa, deixa livre ambas as passagens, tanto do nariz quanto da boca. O ar então se divide, e uma parte passa também pelas fossas nasais.

O que acontece então com os sons que articulamos? No primeiro caso, quando o ar passa somente pela boca, emitimos sons orais; no segundo caso, quando uma parte do ar passa pelo nariz, emitimos sons nasais.

Para perceber a diferença, compare a pronúncia das vogais a (oral) e ã (nasal) em palavras como lá e lã; má e mã; chá e chão.